quarta-feira, 16 de junho de 2010

“Ser ou não ser”

O que será que é o ser ao certo, o que classifica os bons e os maus, caso se pudesse eliminar todas as influências?

Influências que chegaram com a História, influências que se fundem ao passo que o mundo gira, a cada tic que o relógio canta, influências de um sistema, de uma tradição, de uma educação, de cada situação.

Será que restaria a essência que particulariza cada um, ou apenas um modelo-base, personalizado depois por todos os reflexos que sua vida, desde o primeiro fôlego, recebeu de todos os pontos entrelaçados na Existência?

Como dizer ao certo o que seria do caráter de alguém considerado perverso, se suas influências tivessem sido diferentes? Se houvesse recebido amor ao invés de desprezo, carinho ao invés de agressão, abrigo ao invés de exclusão? Será que haveria salvação?

Ou não é na realidade uma questão de influência, mas de essência?

Existem pessoas que por terem sofrido dor, angustia e desespero, unem-se àquelas que procuram trabalhar por um mundo melhor, por terem sofrido injustiça, brigam pela justiça, por terem sofrido intolerância, compadecem-se com mais consciência.

Existem outras, que escolhem multiplicar a dor, direcionando uma culpa real ou forjada a qualquer inocente, bebendo da fonte do prazer sádico, insaciavelmente.

Seria a fonte real de suas vontades sua própria essência? O que é intrínseco à sua existência, misturado às suas infinitas influências, que doces ou amargas, não poderiam sufocar o sabor do que é mais forte?

As folhas que caem não farão a laranjeira produzir limão, tampouco o vento que a balança ou o sol que a aquece.

Não há fuga da Verdade, porque ninguém pode negar a si mesmo.

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