quarta-feira, 9 de junho de 2010

Mãe é mãe??? Pai é pai???

Gostaria de falar sobre alguns pais...

Dizem que todas as mulheres querem ser mães. E no que consiste esse desejo supostamente “natural”?

Cuidar de alguém?

Expressar amor por uma vida?

Compartilhar do bem?

Na verdade me parece uma das coisas mais egoístas que alguém pode fazer na vida.

Todo sonho de uma pessoa é de extrema importância enquanto se limita a sua própria vida, mas quando interfere negativamente em outra vida se transforma em falta de respeito e egoísmo.

E como será que interfere negativamente em uma vida ser pai ou mãe?

Já ouvi muitos “pais” dizendo que mesmo o filho vindo “fora de hora” seria considerado motivo de alegria; mas motivo de alegria para quem?

Por um acaso, nunca ouvi uma pessoa dizendo que antes de ter um filho parou para se perguntar se derrepente, a suposta futura vida iria ficar contente de passar a fazer parte deste mundo; se iria sentir prazer e satisfação em ter tal pessoa como pai ou mãe; se seria motivo de alegria para essa nova vida fazer parte da vida dela; se o que ela tem para oferecer seria suficientemente bom para essa vida no seu conceito e não apenas no dos pais. Parar para pensar que talvez essa suposta futura vida não iria querer ser obrigada a existir para ser obrigada a viver um tipo de vida a qual ela não pôde escolher – “porque a vida é assim; porque o mundo é assim”.

Mas ouve-se sempre justificativas da categoria “eu-eu-eu” :

“EU fiz o melhor que EU pude”

Foi o melhor para o seu filho?

É o suficiente pra você?

E para ele?

“EU me matei para te sustentar”

Não foi você que escolheu colocar essa pessoa no mundo? Ou simplesmente decidiu fazer sexo?

Não deveria ter pensado nisso antes?

As pessoas “adultas” decidem se casar. Decisão delas. Aí, elas decidem ter filhos. Decisão delas.

Mas por quê?

Porque não sabemos o que fazer das nossas vidas agora?

Para descarregar as nossas frustrações em outra vida?

Para viver nossos sonhos através de outra vida?

Ou para brincar de casinha na versão adulta?

Aparentemente sim, porque além de terem ignorado perguntas importantes que levam em consideração os possíveis interesses da futura vida, quando o bebê-brinquedo cresce, e não dá para simplesmente encostá-lo na prateleira, esses pais vão dizer aos filhos com muito amor e carinho:

“Se vira! Vai arrumar um emprego e cuidar da SUA vida!”

Ora, mas ser pai e mãe não era sobre “cuidar de uma vida”? O que aconteceu? Ah! Já não é mais tão fofinho não é? Já não tem mais graça. Agora não dá para brincar de escolher roupinhas “azulzinhas ou rosinhas”...

Será que essa pessoa queria nascer para depois ser jogada na fogueira do sistema, onde alguém vai decidir de acordo com o seu currículo se ela é digna do pão-que-o-diabo-amassou de cada dia, fazendo ela acreditar que oferecer-lhe um emprego em troca da sua alma, por um salário miserável é uma grande conquista, e que ela deve fazer por merecer, porque em termos práticos, um Pálio (talvez zero) vale mais do que vinte anos da sua vida?!

E foi o “amor” dos seus pais que a jogou nessa fogueira.

Poderíamos citar muitas coisas para exemplificar o “amor” de tais pais pelos filhos que eles planejaram colocar no mundo, mas falemos um pouco sobre os pais que não planejaram “pôr filhos no mundo”.

O que aconteceu?

Ah! Aconteceu...

Esse é o eufemismo clássico para explicar que o pênis “escorregou” para dentro da vagina; e aí, aconteceu UMA VIDA.

Interessante, para não dizer revoltante; a criança apanha covardemente de pessoas adultas por qualquer motivo estúpido, por quebrar um vaso por exemplo, mas os próprios pais, que cometeram um erro gravíssimo, conceber uma vida sem a menor responsabilidade, sem estrutura e sem vontade (de cuidar de alguém), justificam-se e desculpam-se com um simples e fácil “Aconteceu”.

E depois esse “Aconteceu” é jogado nas costas dessa vida a sua vida inteira, como se fosse um favor eles terem assumido pelo menos um pedaço ínfimo da sua responsabilidade dando moradia e alimentando essa pessoa (que não existiria não fosse a vontade deles de fazer sexo, sem maturidade, sem consciência).

Mas era só o que faltava, dizer que tinha o direito de deixar a pessoa na rua, mas que fez o “favor” de sustentá-la.

Ainda, os filhos podem ser usados por esses tipos de pais para vários fins; podem, por exemplo, servir de escravos...

Engraçado como muitos pais adoram fazer uso da sua “auto-concedida autoridade” para se sentirem como reis e rainhas – Se eu não fui/sou nada na vida, pelo menos aqui eu posso mandar, obrigar, humilhar, constranger, oprimir, descarregar meu descontrole e ninguém vai me reprovar, afinal, “dói mais em mim do que em você” - Quando na verdade não deveria ser sobre ter poder sobre alguém, mas sobre ser responsável pela felicidade de uma vida – responsabilidade que você escolheu ter ou aconteceu...

“Cala a boca! Faça o café! Vai comprar cigarro pra mim! Sai da “minha” casa! Pegue aquilo! Carregue isso! Seu merda! Para de falar muleque! Vai apanhar! Para de me encher o saco! Você vive sob o meu teto! Eu te carreguei nove meses na barriga! Vai arrumar um emprego! Blá, blá, blá...”

Onde é que esse tipo de postura se encaixa no que diz respeito a um pai e uma mãe estarem cumprindo com a sua responsabilidade de fazer uma vida feliz?

Acho que não vai parecer mais tão atraente ter um filho quando não tiver mais a ver com ser rei ou rainha sobre uma vida, sobre dominar e manipular alguém, sobre brincar de casinha, sobre ter “status social” e defesa pública – sou um pai de família; sou uma mãe – sobre ter funcionários ou escravos dentro da lei, sobre endividar alguém que não pôde sequer compreender que não devia nada...

Quando for puramente sobre fazer alguém feliz, tomar essa responsabilidade sobre si, o que implica em respeitar a liberdade de existir do outro – nada de impor uma religião, time de futebol, profissão, corte de cabelo, maneira de se vestir – já não vai soar tão divertido. Quando for compreendido que a duração dessa responsabilidade não se estende até o período que me parece conveniente, ou que a Lei me obriga, mas atravessa toda a duração da vida concebida.


Poucos são os pais que realmente amam seus filhos. E o amor respeita. O amor é bom, o amor é justo, o amor é correto, o amor se importa, e o amor “É DE GRAÇA”.


Existem muitas pessoas, ou talvez seria melhor dizer, pessoas de muito poder, com grande interesse nessa multiplicação desenfreada; qualquer louco, bandido, psicopata, tolo, escarnecedor, coloca um filho no mundo, porque sexo se aprende fácil, e quem se importa com a maneira com que essas vidas estão sendo tratadas, quando o que se quer mesmo é garantir o concreto para a base da pirâmide.

0 comentários:

Postar um comentário