segunda-feira, 21 de junho de 2010

A Caixa

Finalmente assisti o filme “A Caixa”.

Pelo que eu pude perceber a idéia central do filme está mais para um plagio da narrativa de Gênesis sobre Adão e Eva e algumas de suas possíveis envenenadas interpretações, acrescentando ramificações maléficas.

No escuro compara, insanamente, o desejo ganancioso por riqueza com o anseio natural por conhecimento, nivelando-os ao conceito de tentação.

Como nas chamadas “Escrituras” aonde as “opções” são viver ou morrer, no longa as opções vêem disfarçadas de “alguém” viver ou morrer, “contemporanizando” a cominação.

E imitando a clássica estratégia de controle e manipulação das religiões, carrega implícita a segunda opção falsamente proporcional: “faça o que eu digo que é correto” ou “condenação eterna”, e como nessa última comparação, a “opção” condenação eterna não está explícita no acordo tanto quanto não se visualiza o Inferno, mas se é instigado pela cor do dinheiro tanto quanto se é tentado pelos selecionados “prazeres mundanos”.

Perverte a “obviedade” da escolha insinuada no filme fazendo uso de uma noção atroz de possibilidade, como se optar pela visão do raciocínio fosse semelhante a uma decisão louca.

Sugere que a compaixão nasce necessariamente do reflexo do objeto do sofrimento; talvez por isso, no filme, a compaixão aflorada tenha se restringido a visão do horror, ignorando qualquer outra vida. E esse desvio contraditório é rotulado de “Amor”.

Destila que a salvação da “Espécie humana” exige a renuncia do desejo individual – como se a condição existencial fosse uma culpa; como se a inércia fraternal revestisse a semente de toda animação consciente – não é um desejo coletivo a liberdade individual, pelo menos, para si próprio?

E para não perder o costume e o poder patriarcal, a rendição imoral que funde a discórdia ao comportamento universal é primícia intrínseca a composição feminina. A causa é a mulher.

Seguindo ainda o modelo de caráter dos “deuses”, o detentor do poder no filme é um ser estúpido, sadista, caprichoso, que pretende impor sua enganosa salvação através da mentira, do medo, da ameaça. A mensagem latente de seu personagem é uma incitação ao julgamento superficial e a hostilidade social.

Da mesma raiz nefasta; o medo e a ameaça são as “bases-aliadas” aonde lançaremos os fundamentos da nossa consciência, aonde estruturaremos os nossos princípios e valores – não por amor, não por verdade – mas pelo pavor do castigo e sempre por uma recompensa miserável.

E qual seria o propósito de lançar mais um compacto de sofismas? Dos que já vieram e de tantos outros que virão?

Uma segunda Inquisição não parece uma possibilidade viável, o número de ateus está aumentando, a informação alastra-se pelo impulso da tecnologia crescente; a Religião pode perder as forças, porém, os conspiradores, posicionados em pontos-chave, irão se empenhar para desenhar uma face moderna para a deturpação dos conceitos e para a perversão dos valores, para as mentiras mascaradas que sustentam a manipulação e o Forte do Poder.

Fique atento.

0 comentários:

Postar um comentário