quinta-feira, 24 de junho de 2010

Casey James




Casey James participou da nona temporada de American Idol – programa exibido nos Estados Unidos e no Brasil pela TV a cabo – e finalizou em terceiro lugar no programa. Particularmente penso que deveria ter sido ele a levar o título; bom cantor e intérprete, ótimo guitarrista, com aquele brilho de estrela que deixa gosto de quero-mais.

Sua performance no palco é uma mistura de talento, simplicidade, carisma, autenticidade e beleza.

Eis uma de suas melhores apresentações;

Jealous Guy – Beatles:



segunda-feira, 21 de junho de 2010

A Caixa

Finalmente assisti o filme “A Caixa”.

Pelo que eu pude perceber a idéia central do filme está mais para um plagio da narrativa de Gênesis sobre Adão e Eva e algumas de suas possíveis envenenadas interpretações, acrescentando ramificações maléficas.

No escuro compara, insanamente, o desejo ganancioso por riqueza com o anseio natural por conhecimento, nivelando-os ao conceito de tentação.

Como nas chamadas “Escrituras” aonde as “opções” são viver ou morrer, no longa as opções vêem disfarçadas de “alguém” viver ou morrer, “contemporanizando” a cominação.

E imitando a clássica estratégia de controle e manipulação das religiões, carrega implícita a segunda opção falsamente proporcional: “faça o que eu digo que é correto” ou “condenação eterna”, e como nessa última comparação, a “opção” condenação eterna não está explícita no acordo tanto quanto não se visualiza o Inferno, mas se é instigado pela cor do dinheiro tanto quanto se é tentado pelos selecionados “prazeres mundanos”.

Perverte a “obviedade” da escolha insinuada no filme fazendo uso de uma noção atroz de possibilidade, como se optar pela visão do raciocínio fosse semelhante a uma decisão louca.

Sugere que a compaixão nasce necessariamente do reflexo do objeto do sofrimento; talvez por isso, no filme, a compaixão aflorada tenha se restringido a visão do horror, ignorando qualquer outra vida. E esse desvio contraditório é rotulado de “Amor”.

Destila que a salvação da “Espécie humana” exige a renuncia do desejo individual – como se a condição existencial fosse uma culpa; como se a inércia fraternal revestisse a semente de toda animação consciente – não é um desejo coletivo a liberdade individual, pelo menos, para si próprio?

E para não perder o costume e o poder patriarcal, a rendição imoral que funde a discórdia ao comportamento universal é primícia intrínseca a composição feminina. A causa é a mulher.

Seguindo ainda o modelo de caráter dos “deuses”, o detentor do poder no filme é um ser estúpido, sadista, caprichoso, que pretende impor sua enganosa salvação através da mentira, do medo, da ameaça. A mensagem latente de seu personagem é uma incitação ao julgamento superficial e a hostilidade social.

Da mesma raiz nefasta; o medo e a ameaça são as “bases-aliadas” aonde lançaremos os fundamentos da nossa consciência, aonde estruturaremos os nossos princípios e valores – não por amor, não por verdade – mas pelo pavor do castigo e sempre por uma recompensa miserável.

E qual seria o propósito de lançar mais um compacto de sofismas? Dos que já vieram e de tantos outros que virão?

Uma segunda Inquisição não parece uma possibilidade viável, o número de ateus está aumentando, a informação alastra-se pelo impulso da tecnologia crescente; a Religião pode perder as forças, porém, os conspiradores, posicionados em pontos-chave, irão se empenhar para desenhar uma face moderna para a deturpação dos conceitos e para a perversão dos valores, para as mentiras mascaradas que sustentam a manipulação e o Forte do Poder.

Fique atento.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Matt Dillahunty

Matt Dillahunty é presidente da Comunidade Ateísta de Austin – Texas/USA – também apresentador do programa “The Atheist Experience” que é transmitido nos Estados Unidos e que também é divulgado através da internet.

Minha admiração por Matt Dillahunty ascende-se quanto mais eu me aproximo do conteúdo de suas idéias - o que ele demonstra ser – não apenas possuidor de um grande conhecimento intelectual, não apenas um grande orador, mas uma vida preciosa que racionaliza em busca da Verdade e trabalha para contribuir com a disseminação da sabedoria.

Eis um vídeo aonde Matt refuta a famosa “Aposta de Pascal”:

(A “Aposta de Pascal” pra quem não sabe, é um argumento (corrupto) elaborado por Blaise Pascal que consiste basicamente no seguinte:

•Se você acreditar em “deus” e nas Escrituras e forem tais verdade, será salvo.

•Se você acreditar em “deus” e nas Escrituras e não forem tais verdade, não terá perdido nada.

•Se você não acreditar em “deus” e nas Escrituras e estiver certo, não terá perdido nada.

•Se você não acreditar em “deus” e nas Escrituras e estiver errado, IRÁ QUEIMAR NO FOGO ETERNO.)




Direitos Iguais

Existem homens que fazem uso de semelhante “objeção”: “Se as mulheres querem direitos iguais, elas que façam isso e aquilo...”

Quanto é necessário reler a sentença para extrair a declaração implícita de preconceito e estupidez?

Quando alguém diz – as mulheres que façam... os negros que isso...os judeus que aquilo...problema dos homossexuais – acaba por dividir a humanidade em classes, por “racisficar”, atribuindo superioridade e inferioridade por valores superficiais, e não percebeu ou não quis perceber, que se trata do que é humano e não de poder. Que não é ela, inclusive, que decide o que é humano o suficiente para se conferir valor; o humano se define por si.

Os “direitos iguais” tem a ver com o que não infringe a dignidade do ser humano. O que também abraça o seu direito de escolha e liberdade, a sua personalidade.

Não deve ser tão difícil compreender que a postura que você PODE escolher ter, não transgride o seu direito de poder escolher;

Se você quer ser uma dama, se quer ser um cavalheiro, se quer se casar, ou ser solteiro, se quer sorrir ou chorar, se quer assistir ou dançar, se quer ficar ou partir, se quer ganhar, dar ou dividir, se quer saber ou servir.

Não, o cavalheirismo forjado não compensa a privação do voto; pagar o jantar não ressarce a dignidade perdida na submissão; só a Miséria devolve um Sim por um Não. Brigamos por direito e não por permissão.

Não ajudou em nada nossa semelhança antropomórfica? Nossas expressões que traduzem mundialmente os mesmos sinais? Nossas linguagens corporais?
Vamos ter que igualar universalmente nossas genitais? Acinzentar a epiderme global? Violar a feminilidade? Castrar a masculinidade? Extinguir a unidade? Asfixiar a particularidade? Reprimir todos a sua vontade? Para conseguir reconhecer igualdade...

Defenderei que meu irmão judeu seja respeitado, embora não carregue sua ascendência em meu sangue; ainda que não compartilhe do desejo homossexual, declararei meu apoio fraternal; meus irmãos são brancos, negros, vermelhos, amarelos e azuis, meus irmãos são todos os filhos da luz.

Não são “eles”, somos nós. Quando a causa é justa, deve-se erguer a voz.

Aquele que se esconde na mentira, pra defender o seu abrigo sujo, sabota o caminho do Bem. Contamina e deteriora o corpo da evolução; “desumaniza” sua própria condição.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

“Ser ou não ser”

O que será que é o ser ao certo, o que classifica os bons e os maus, caso se pudesse eliminar todas as influências?

Influências que chegaram com a História, influências que se fundem ao passo que o mundo gira, a cada tic que o relógio canta, influências de um sistema, de uma tradição, de uma educação, de cada situação.

Será que restaria a essência que particulariza cada um, ou apenas um modelo-base, personalizado depois por todos os reflexos que sua vida, desde o primeiro fôlego, recebeu de todos os pontos entrelaçados na Existência?

Como dizer ao certo o que seria do caráter de alguém considerado perverso, se suas influências tivessem sido diferentes? Se houvesse recebido amor ao invés de desprezo, carinho ao invés de agressão, abrigo ao invés de exclusão? Será que haveria salvação?

Ou não é na realidade uma questão de influência, mas de essência?

Existem pessoas que por terem sofrido dor, angustia e desespero, unem-se àquelas que procuram trabalhar por um mundo melhor, por terem sofrido injustiça, brigam pela justiça, por terem sofrido intolerância, compadecem-se com mais consciência.

Existem outras, que escolhem multiplicar a dor, direcionando uma culpa real ou forjada a qualquer inocente, bebendo da fonte do prazer sádico, insaciavelmente.

Seria a fonte real de suas vontades sua própria essência? O que é intrínseco à sua existência, misturado às suas infinitas influências, que doces ou amargas, não poderiam sufocar o sabor do que é mais forte?

As folhas que caem não farão a laranjeira produzir limão, tampouco o vento que a balança ou o sol que a aquece.

Não há fuga da Verdade, porque ninguém pode negar a si mesmo.

domingo, 13 de junho de 2010

Contradições da Bíblia – 1


Não que seja a primeira da Bíblia, mas é a primeira que estou postando aqui.

Gênesis 2: 16, 17

“Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem o do mal, dela não comerás, pois NO DIA em que dela comeres, CERTAMENTE MORRERÁS.”

“Deus” disse para o homem que, se ele comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal “certamente morreria”.

Temos, aparentemente, duas possibilidades:

1 – “Certamente morrerás” poderia querer dizer que o homem morreria imediatamente ao comer do fruto, ou...

2 – Que a partir dalí ele se tornava um ser mortal e “UM DIA” iria morrer.

Por que a segunda possibilidade não é válida?

Gênesis 3: 22, 23

“...assim, para que não estenda a mão, e tome também da árvore da vida, e coma e VIVA ETERNAMENTE: o Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Eden, para lavrar a terra de que fora tomado.”

Se o homem ainda não havia lançado mão da árvore da vida, então ele, CERTAMENTE não viveria para sempre, pois já se apresentava na condição de um ser mortal.

Ele CERTAMENTE MORRERIA “UM DIA”, independentemente de ter comido do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal ou não.

O suposto “Deus” só não teria passado por mentiroso (ou desinformado e mentiroso) nessa passagem, se o homem tivesse morrido imediatamente após ter comido do fruto, o que segundo a própria narrativa posterior de Gênesis, não aconteceu.

Então, Javé mentiu.

E...a serpente disse a verdade:

Gênesis 3: 1, 5

“Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. Esta disse a mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?

Respondeu a mulher á serpente: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais.

Então a serpente disse á mulher: CERTAMENTE NÃO MORREREIS. Porque Deus sabe que no dia que comerdes desse fruto os vossos olhos se abrirão, e SEREIS COMO DEUS, conhecendo o bem e o mal.”


Gênesis 3: 22

“Então disse o Senhor Deus: O homem agora SE TORNOU COMO UM DE NÓS, conhecendo o bem e o mal...”

sábado, 12 de junho de 2010

Rihanna e Chris Brown



É impressionante como as pessoas se esquecem fácil dos acontecimentos, muitos de extrema relevância.


Parece que todo mundo já se esqueceu da agressão que a Rihanna sofreu pelas mãos do Chris Brown.


O “elemento” continua fazendo shows, tocando nas rádios, vendendo discos...

O que me fez pensar, que se qualquer criatura dessas, que nós ouvimos no Jornal dizer que cometeram atrocidades fosse famosa, não faria a menor diferença; seu caráter nocivo não o privaria da veneração de uma massa de gente.




Muitas pessoas ainda pagariam para ouvir as suas “canções românticas” cujas letras provavelmente não incluiriam a parte aonde ele chega a “quebrar a cara” da sua amada.

Ou será que agora a sociedade decidiu que violência doméstica é algo normal e corriqueiro? “Violência doméstica” e “discutir relação” nivelaram-se?

E há ainda quem vomite na sua face argumentos repugnantes do tipo: “Todo mundo erra”.

Ora, se todo mundo comete erros, e existe apenas uma categoria para tais – todos os “erros” são “humanos” - então tudo bem se um psicopata decide matar em série com requintes de crueldade, ou se simplesmente qualquer pessoa decide assassinar qualquer outra, afinal, qualquer um pode, qualquer dia, “decidir escorregar” no mesmo erro; homicídio, roubo, extorsão, seqüestro, violência doméstica, e até estupro e pedofilia?

Será mesmo que TODO MUNDO erra os mesmos erros?

Será que podemos considerar que é APENAS mais um erro?

São esses tipos de erros “humanos”, ou seriam “desumanos”?

Será que nós não temos mesmo parâmetro nenhum para discernir pessoas de monstros vestidos de gente?

É justiça o suficiente para você dizer que a “dívida com a sociedade” foi paga? O pedaço de vida ferido foi restituído?

Enquanto nós fecharmos os olhos para a doença, ela não poderá ser curada, enquanto nós nos contentarmos com a dor, a miséria reinará sobre nós.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Sabedoria

Uma das definições do meu dicionário para “sabedoria” é: conhecimento da Verdade.

A verdade em sua plenitude abrange o conhecimento infinito, se é que a existência em absoluto é infinita; sendo assim, não dá para dar um “Ctrl+C” na Verdade e “Ctrl+Veá-lá” para nossa mente, pois seria necessário onisciência, onipresença e existência eterna para captar num mesmo instante da menor partícula do tempo, todas as informações em absoluto atuantes daquele mesmo instante e ainda potencializar esse conhecimento para o nível da eternidade regressa e futura.

Poderíamos chamar essa medida de verdade de “Verdade-Absoluta-Infinita”. Para assim explicar que a verdade-absoluta esta contida na Verdade-Absoluta-Infinita.


E nos interessa a medida de verdade que interage com a nossa capacidade de interagir com a Existência.

Chamemos essa medida de verdade de Verdade-A.

Ora, mesmo o desmembramento do que abrange a verdade-A exigiria exaustiva e infindável explanação.

Se existe alguém que detém esse “relacionamento” eu não sei, e como não sei tantas coisas, também não ousarei afirmar que é impossível.

No entanto, talvez por cruel inocência ou simples fé natural, acredito ser real a possibilidade de juntar as peças do complexo quebra-cabeça da verdade. Penso ainda, que o que torna essa tarefa super-ultra-mega complicada e penosa não é exatamente a sua complexidade pura, mas a necessidade de primeiro se eliminar a sujeira.

Assunto esse que deixo pra “quem sabe outro dia”.

O ponto que eu quero expor por hora é o seguinte; ainda que o conhecimento pleno da verdade-A esteja distante, existem, como nas Ciências, alguns princípios “básicos” que demarcam o ponto inicial do caminho para a Verdade:

1º - Regra absoluta na Existência absoluta – Os fatos seguem a Verdade.

(A mentira é uma existência que compõe a Verdade-Absoluta-Infinita – entendendo aqui que a mentira EXISTE, portanto é VERDADE a sua existência – a mentira reage com a Existência de acordo com as suas propriedades particulares. Mais ou menos assim:

A mentira existe = verdade

Se ela existe, pode ser definida como uma existência cuja composição define uma posição particular para tal no todo.

O efeito que a mentira produz reagindo com qualquer outra existência só pode ser produto de sua composição-verdade com qualquer outra composição-verdade.

Ou seja, ainda quando a mentira atua, nisto também está valendo a regra de que “os fatos seguem a Verdade”).

2º - O amor é a base-primeira para a implantação da Verdade; o amor guia à Verdade. (Ainda que a Verdade contenha o Amor).

(Analogicamente falando, é como se o amor fosse o ponto central que indica qual a maneira “correta” de se dispor as peças da Existência para a produção da Consumação do Bem.)

Amor -> Verdade -> Consumação absoluta do Bem

O amor é compreendido como um sentimento, e todo sentimento é compreendido como abstrato, no entanto, pelo que parece não se tem uma definição exata sobre a composição da sua existência – se é produto de uma reação fisioquímica no cérebro, uma composição biológica exata ou essencialmente não-material.

Como a única ferramenta que possuo para a busca da Verdade é o meu próprio entendimento – tudo o que minha existência consegue captar e processar da minha interação com o todo – uni então experiência, observação, capacidade de compreensão, conhecimento, temperados com o conhecimento tácito e pude detectar alguns “princípios do amor” (independentemente do que constitua sua composição) e que são de extrema importância:

• O Amor é bom;
• O Amor é sempre bom;
• O Amor NÃO é cego, muito pelo contrário, detém a sabedoria;
• O Amor NÃO MENTE;
• O Amor não é miserável de forma alguma;
• O Amor tem como foco absoluto a consumação absoluta do Bem (difícil é separar a definição do verdadeiro “Bem” do conceito contaminado).

3º - O Amor quer a Verdade porque a Verdade promove o Bem e “liberta”.


Por enquanto é isso...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Ouvir com o coração

Eu não entendo as pessoas que dizem: “você tem que apoiar a música brasileira, você tem que apoiar a música brasileira”. No que você se baseia para selecionar aquilo que você vai ouvir?


Eu, pessoalmente, não tomo por base esse tipo de ideia política, eu me deixo conduzir, nesta questão, por aquilo que toca o meu córtex cerebral. Aquilo que fala comigo de alguma maneira, aquilo com que de alguma maneira eu me identifico, o que me mostra algo.


Pra mim se trata de alcançar níveis ocultos da Existência, visualizar a imagem tácita que só a arte te permite enxergar, um relacionamento particular e profundo, mesmo quando parece tão superficial, quando você apenas cantarola o que nem sabe falar...

Eu não defendo que não ouçam música brasileira, ou ouçam música brasileira, o que eu quero defender é o direito de cada um de ouvir o que lhe agrada.


Como disse Roger Waters, no final das contas, o que importa é se mexe com você.


Eis dois vídeos, cujas apresentações podem ser usadas como referência para definir “música”:

High Hopes - David Gilmour (semi-acústico)




High Hopes - Pink Floyd

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Mãe é mãe??? Pai é pai???

Gostaria de falar sobre alguns pais...

Dizem que todas as mulheres querem ser mães. E no que consiste esse desejo supostamente “natural”?

Cuidar de alguém?

Expressar amor por uma vida?

Compartilhar do bem?

Na verdade me parece uma das coisas mais egoístas que alguém pode fazer na vida.

Todo sonho de uma pessoa é de extrema importância enquanto se limita a sua própria vida, mas quando interfere negativamente em outra vida se transforma em falta de respeito e egoísmo.

E como será que interfere negativamente em uma vida ser pai ou mãe?

Já ouvi muitos “pais” dizendo que mesmo o filho vindo “fora de hora” seria considerado motivo de alegria; mas motivo de alegria para quem?

Por um acaso, nunca ouvi uma pessoa dizendo que antes de ter um filho parou para se perguntar se derrepente, a suposta futura vida iria ficar contente de passar a fazer parte deste mundo; se iria sentir prazer e satisfação em ter tal pessoa como pai ou mãe; se seria motivo de alegria para essa nova vida fazer parte da vida dela; se o que ela tem para oferecer seria suficientemente bom para essa vida no seu conceito e não apenas no dos pais. Parar para pensar que talvez essa suposta futura vida não iria querer ser obrigada a existir para ser obrigada a viver um tipo de vida a qual ela não pôde escolher – “porque a vida é assim; porque o mundo é assim”.

Mas ouve-se sempre justificativas da categoria “eu-eu-eu” :

“EU fiz o melhor que EU pude”

Foi o melhor para o seu filho?

É o suficiente pra você?

E para ele?

“EU me matei para te sustentar”

Não foi você que escolheu colocar essa pessoa no mundo? Ou simplesmente decidiu fazer sexo?

Não deveria ter pensado nisso antes?

As pessoas “adultas” decidem se casar. Decisão delas. Aí, elas decidem ter filhos. Decisão delas.

Mas por quê?

Porque não sabemos o que fazer das nossas vidas agora?

Para descarregar as nossas frustrações em outra vida?

Para viver nossos sonhos através de outra vida?

Ou para brincar de casinha na versão adulta?

Aparentemente sim, porque além de terem ignorado perguntas importantes que levam em consideração os possíveis interesses da futura vida, quando o bebê-brinquedo cresce, e não dá para simplesmente encostá-lo na prateleira, esses pais vão dizer aos filhos com muito amor e carinho:

“Se vira! Vai arrumar um emprego e cuidar da SUA vida!”

Ora, mas ser pai e mãe não era sobre “cuidar de uma vida”? O que aconteceu? Ah! Já não é mais tão fofinho não é? Já não tem mais graça. Agora não dá para brincar de escolher roupinhas “azulzinhas ou rosinhas”...

Será que essa pessoa queria nascer para depois ser jogada na fogueira do sistema, onde alguém vai decidir de acordo com o seu currículo se ela é digna do pão-que-o-diabo-amassou de cada dia, fazendo ela acreditar que oferecer-lhe um emprego em troca da sua alma, por um salário miserável é uma grande conquista, e que ela deve fazer por merecer, porque em termos práticos, um Pálio (talvez zero) vale mais do que vinte anos da sua vida?!

E foi o “amor” dos seus pais que a jogou nessa fogueira.

Poderíamos citar muitas coisas para exemplificar o “amor” de tais pais pelos filhos que eles planejaram colocar no mundo, mas falemos um pouco sobre os pais que não planejaram “pôr filhos no mundo”.

O que aconteceu?

Ah! Aconteceu...

Esse é o eufemismo clássico para explicar que o pênis “escorregou” para dentro da vagina; e aí, aconteceu UMA VIDA.

Interessante, para não dizer revoltante; a criança apanha covardemente de pessoas adultas por qualquer motivo estúpido, por quebrar um vaso por exemplo, mas os próprios pais, que cometeram um erro gravíssimo, conceber uma vida sem a menor responsabilidade, sem estrutura e sem vontade (de cuidar de alguém), justificam-se e desculpam-se com um simples e fácil “Aconteceu”.

E depois esse “Aconteceu” é jogado nas costas dessa vida a sua vida inteira, como se fosse um favor eles terem assumido pelo menos um pedaço ínfimo da sua responsabilidade dando moradia e alimentando essa pessoa (que não existiria não fosse a vontade deles de fazer sexo, sem maturidade, sem consciência).

Mas era só o que faltava, dizer que tinha o direito de deixar a pessoa na rua, mas que fez o “favor” de sustentá-la.

Ainda, os filhos podem ser usados por esses tipos de pais para vários fins; podem, por exemplo, servir de escravos...

Engraçado como muitos pais adoram fazer uso da sua “auto-concedida autoridade” para se sentirem como reis e rainhas – Se eu não fui/sou nada na vida, pelo menos aqui eu posso mandar, obrigar, humilhar, constranger, oprimir, descarregar meu descontrole e ninguém vai me reprovar, afinal, “dói mais em mim do que em você” - Quando na verdade não deveria ser sobre ter poder sobre alguém, mas sobre ser responsável pela felicidade de uma vida – responsabilidade que você escolheu ter ou aconteceu...

“Cala a boca! Faça o café! Vai comprar cigarro pra mim! Sai da “minha” casa! Pegue aquilo! Carregue isso! Seu merda! Para de falar muleque! Vai apanhar! Para de me encher o saco! Você vive sob o meu teto! Eu te carreguei nove meses na barriga! Vai arrumar um emprego! Blá, blá, blá...”

Onde é que esse tipo de postura se encaixa no que diz respeito a um pai e uma mãe estarem cumprindo com a sua responsabilidade de fazer uma vida feliz?

Acho que não vai parecer mais tão atraente ter um filho quando não tiver mais a ver com ser rei ou rainha sobre uma vida, sobre dominar e manipular alguém, sobre brincar de casinha, sobre ter “status social” e defesa pública – sou um pai de família; sou uma mãe – sobre ter funcionários ou escravos dentro da lei, sobre endividar alguém que não pôde sequer compreender que não devia nada...

Quando for puramente sobre fazer alguém feliz, tomar essa responsabilidade sobre si, o que implica em respeitar a liberdade de existir do outro – nada de impor uma religião, time de futebol, profissão, corte de cabelo, maneira de se vestir – já não vai soar tão divertido. Quando for compreendido que a duração dessa responsabilidade não se estende até o período que me parece conveniente, ou que a Lei me obriga, mas atravessa toda a duração da vida concebida.


Poucos são os pais que realmente amam seus filhos. E o amor respeita. O amor é bom, o amor é justo, o amor é correto, o amor se importa, e o amor “É DE GRAÇA”.


Existem muitas pessoas, ou talvez seria melhor dizer, pessoas de muito poder, com grande interesse nessa multiplicação desenfreada; qualquer louco, bandido, psicopata, tolo, escarnecedor, coloca um filho no mundo, porque sexo se aprende fácil, e quem se importa com a maneira com que essas vidas estão sendo tratadas, quando o que se quer mesmo é garantir o concreto para a base da pirâmide.